Mais gordura, maior apetite

O excesso de peso aumenta os riscos de doenças cardiovasculares, diabetes, apneia do sono e de perturbações crónicas nas articulações
Porque é que ao fim de alguns dias a comer no MacDonald’s o nosso apetite se torna desregulado e insaciável? A culpa, pelos vistos, não é só dos nossos hábitos alimentares e das cadeias de fast-food que existem em cada esquina da rua, mas sim do nosso cérebro, o qual é literalmente enganado pelas gorduras saturadas que o nosso corpo ingere.
Foi esta a conclusão de um estudo liderado pelo neurocientista comportamental Stephen Benoit, da Universidade de Cincinnati, EUA, o qual foi apresentado na edição de Setembro do “The Journal of Clinic Investigation”.
Já se sabia que as hormonas leptina e insulina desempenham um papel importante no controlo da quantidade de comida que consumimos, no entanto, este estudo ajudou a revelar o quão vulneráveis podem elas ser perante o ataque de um apetitoso Sunday de chocolate ou um Big Mac.
De forma resumida, a leptina é produzida pelos tecidos gordos do nosso corpo, dando informações ao cérebro das suas quantidades e afastando o pressentimento de fome. A insulina, por sua vez, é segredada quando o nível de açúcar no pâncreas se eleva (o que acontece depois de uma refeição), despertando uma reacção que nos faz perder o apetite.
O problema é que estes sinais hormonais podem ser desregulados.
Segundo a investigação, bastam três dias de uma dieta rica em gordura saturada para que os cérebros de ratos (usados nos testes), se tornem resistentes à leptina e à insulina. Pelo contrário, as gorduras insaturadas – como é o caso do azeite –, não provocam essa resistência.
Está assim encontrado um efeito directo da gordura, em excesso, sobre os cérebros de mamíferos, o qual pode levar a problemas metabólicos e ao aumento de peso, uma vez que as duas hormonas se tornam ineficazes.
Contudo, pode-se adicionar uma outra explicação para estes efeitos, proveniente do passado longínquo da espécie humana.
Quando passamos fome o nosso corpo começa a usar as suas reservas de gordura, elevando o seu teor no sangue (tal como acontece nos obesos), sendo que o cérebro interpreta esse nível elevado como se fosse um alerta de fome. Apesar deste alerta ter sido fundamental nos primórdios da humanidade, quando os nossos antepassados tinham que sobreviver à escassez de alimentos, tal mecanismo já não é necessário nos dias de hoje (nomeadamente no Ocidente), no qual abunda o acesso a grandes quantidades de calorias.
Perante este cenário, uma das soluções para evitar o ganho excessivo de calorias é agarrarmo-nos a uma alimentação saudável, como a dieta mediterrânica (caracterizada pelo azeite e vegetais), e fugirmos dos restaurantes de fast-food (cheias de gordura saturada), como o diabo foge da cruz. Isto se não quisermos acabar com uns “pneus a mais” na cintura e debaixo do pescoço.
[GRANDE ARTIGO] Replicar uma estrela na Terra: Laser mais potente do mundo quer criar energia ilimitada

Um "brinquedo" que custou quatro mil milhões de dólares e que cobiça gerar energia ilimitada
Num edifício do tamanho de três estádios de futebol esconde-se uma máquina capaz de concentrar nas suas entranhas 500 biliões de watts, o equivalente a três mil vezes o consumo médio de energia eléctrica no planeta Terra. Essa imensa energia é gerada por 192 lasers, que combinados vão replicar um fenómeno que só ocorre a 150 milhões de quilómetros da Terra: falamos da fusão de átomos feita pelo Sol. O objectivo é replicar esse prodígio na Terra e produzir uma quantidade de energia que suplante a que foi gasta para a gerar.
Foi com este propósito em mente que, no dia 29 de Maio, foi inaugurado com toda a pompa e circunstância o “National Ignition Facility” (NIF), nos Estados Unidos da América, mais precisamente em Livermore, no estado da Califórnia
O projecto já devia estar pronto há cinco anos atrás, mas sucessivos adiamentos, pontilhados por escorregadelas no orçamento (o custo do projecto já vai em quatros mil milhões de dólares, quando o previsto era de um quarto do valor), foram adiando o início dos testes.
Mas vamos ao que mais interessa, ou seja: como se imita uma estrela na Terra?
Vamos pelo básico. O Sol é bastante brilhante e aquece o nosso planeta por causa da radiação (luz) que liberta. Essa radiação é o que sobra de cada vez que quatros átomos de hidrogénio são fundidos pela fornalha que é o centro do Sol (15 milhões de graus), gerando um átomo de hélio. A energia que sobra da fusão (um átomo de hélio tem menos massa do que quatros átomos de hidrogénio) é espalhada pelos quatro cantos do Sistema Solar, chegando até nós na forma de neutrinos, vento solar e, principalmente, radiação electromagnética – a luz que todos os dias dá vida ao ecossistema terrestre.
A cada segundo, triliões e triliões de átomos de hidrogénio são fundidos no Sol para formar hélio (a nossa estrela é composta por 73% de hidrogénio e 25% de hélio), libertando, consequentemente, uma incomensurável energia. Mas na Terra, para obter o mesmo efeito, os cientistas não podem ser tão ambiciosos, pelo que em Livermore os investigadores vão ter que se contentar com dois átomos de hidrogénio.

No interior da câmara principal do NIF serão concentrados 500 biliões de watts, distribuidos por 192 lasers, com o objectivo de fundir dois átomos de hidrogénio
O NIF vai operar enviando um raio infravermelho, de fraca intensidade, que se vai dividir em 48 raios. Estes raios são depois enviados para préamplificadores que vão aumentar a sua potência em 20 mil milhões de vezes. Mas o processo não acaba aqui, dado que em seguida cada um dos raios é novamente dividido, desta vez em quatro, sendo que cada um deles passar repetidamente pelos amplificadores principais, aumentando o poder 15 mil vezes. O resultado final são 192 raios ultravioletas com um comprimento de onda de alta-frequência.
Os raios ultra-violetas são depois concentrados numa esfera do tamanho da cabeça de um fósforo. No seu interior estarão dois átomos de hidrogénio, um com o isótopo de deutério e o outro com o de trítio. A diferença entre os dois isótopos é que o deutério tem um núcleo constituído por um protão e um neutrão, enquanto o trítio tem também um protão mas dois neutrões (no fundo, ambos são dois átomos de hidrogénio, dado que têm um só protão, só diferindo o número de neutrões)
A esfera com os dois átomos (cada um deles dentro de uma outra bola mais pequena, mantidas a uma temperatura de 18 graus negativos), estará envolvida num cilindro do tamanho de uma apara-lápis, sendo depois depositada no centro de uma câmara com dez metros de diâmetro.
Combinando a energia dos 192 raios laser, obtêm-se então 500 biliões de watts, que são literalmente despejados no cilindro, mas apenas durante alguns picosegundos (cada picosegundo representa… 0,00.000 000 000 001 segundos).
Esta imensa energia vai então produzir uma temperatura de cerca de 100 milhões de graus, assim como pressões 100 mil milhões de vezes maiores que as da atmosfera na Terra, valores que fora do nosso planeta apenas são registados no núcleo central das estrelas e dos planetas gigantes, respectivamente. Estão assim criadas as condições para uma fusão nuclear, com o isótopo de deutério a fundir-se com o isótopo de trítio, e daí a resultar um núcleo de hélio e muita energia.
O problema, com o NIF, consiste na quantidade de energia que é depois capturada com a fusão, dado que até agora ainda não foi possível obter uma quantidade capaz de compensar a que foi gasta para a produzir. Esta tem sido uma das maiores críticas que lhe é feita, com alguns investigadores a duvidarem que seja possível essa compensação. Contudo, os investigadores do NIF estão confiantes, esperando que nos próximos meses, há medida que os testes forem avançando, seja possível obter entre 10 a 100 vezes mais energia do que a que foi usada.
A cumprir-se esse objectivo, a humanidade teria à mão a possibilidade de usufruir energia ilimitada, dado que o hidrogénio é a matéria que mais abunda no Universo (um dos átomos constituintes da água dos nossos oceanos é o hidrogénio, só para se ter um exemplo).
Mas estarão os políticos dispostos a arriscar e a gastar quatro mil milhões de dólares (até ao momento) num projecto que pode falhar? Pelos visto não, de tal forma que o NIF esteve em risco de ser cancelado. O volte face deu-se quando o NIF deixou de ser um projecto puramente científico para ser, igualmente, um projecto militar, abrindo a torneira do financiamento.
Com os testes que se efectuarão dentro do NIF, será possível obter dados que serão usados para o desenvolvimento do arsenal nuclear norte-americano. Deste modo, evitar-se-ão os testes nucleares de grande envergadura, através de explosões subterrâneas. Os dados obtidos com as fusões no NIF serão analisados por supercomputadores, os quais farão simulações que imitam as condições existentes dentro de uma arma termonuclear.
Outro ponto a salientar, é que o projecto também poderá ajudar os cientistas que estudam o Universo nas suas mais variadas complexidades, na medida em que possibilitará saber mais sobre os interiores quentes e densos das estrelas, dos grandes planetas e doutros fenómenos.
É caso para especular que o maior laser do mundo ainda dará muito que falar no futuro.
Outros projectos idênticos
Existem duas formas de obter energia dos átomos: através da fissão e da fusão nuclear.
A primeira já foi demonstrada através de duas bombas atómicas (Hiroxima e Nagasáqui), consistindo em usar a energia que é libertada pela divisão de um átomo em outros de massa inferior. Actualmente, as centrais nucleares que conhecemos funcionam segundo esse princípio.
A fusão nuclear já foi explicada neste artigo, sendo uma técnica mais limpa e segura, mas que ainda não está suficientemente desenvolvida, dado que implica o uso de grandes quantidades de energia.

A Coreia do Sul é um dos poucos países a nível mundial que desenvolve reactores de fusão nuclear baseados na tecnologia "Tokamak"
Além do NIF, nos EUA, está ainda em fase de projecto um outro experimento similar, o “High Power laser Energy Research facility” (HiPER), o qual se prevê que comece a ser construído em 2010, na União Europeia. A ambição deste novo projecto, que tem o apoio de parceiros espalhados pela Europa, Ásia e América do Norte, passa por usar lasers de muito menor potência (gastando menos energia), mas com o intuito de obter a mesma quantidade de energia que o NIF pode gerar.
Um projecto mais antigo, e que não usa raios laser, é o ITER (International Thermonuclear Experimental Reactor), um reactor experimental de fusão nuclear, baseado na tecnologia “Tokamak“. Nesta tecnologia são usadas correntes magnéticas para isolar o interior de um reactor, gerando-se aí temperaturas elevadas que vão permitir a fusão dos átomos. Este isolamento magnético permite que as altas temperaturas não danifiquem as paredes internas do reactor.
O ITER é uma cooperação internacional que envolve a China, a União Europeia, índia, Japão, Coreia do Sul e Rússia. Recentemente os EUA abandonaram o projecto.
Músculos e evolução: Porque é que os homens não são todos iguais ao “Mr. Universo”?
Se está farto de ser um trinca-espinhas e fica a penar para as paredes enquanto o amigo musculado fica com as raparigas todas, anime-se um pouco. Um estudo, feito por um investigador norte-americano, vem provar que apesar de um homem de corpo tonificado ter maior sucesso a atrair as mulheres, é propício a ter um sistema imunológico mais fraco e a ganhar um apetite voraz.
Ou seja, ter um corpo semelhante a um deus grego, ou ao do Mr. Universo, tem os seus custos, quer em termos de saúde, quer evolucionários, razão pela qual nem todos os homens podem ser assim.
William Lassek, um psicólogo evolucionário da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, analisou os dados de um inquérito de saúde e nutrição, feito entre 1988 e 1994 no seu país. Estudando um universo de mais de 500 homens, com idades compreendidas entre os 18 e os 49, Lassek verificou que quanto mais robusto e atlético um homem é, mais parceiros sexuais tem, assim como aumentam as probabilidades de perder a virgindade numa idade mais jovem, em comparação com os homens “escanzelados”. Ou seja, a sua capacidade de reprodução é maior.
Mas estas são as vantagens. Quais aos aspectos negativos?
Infelizmente, ao se ter uma grande massa muscular existe a tendência para se produzir poucos glóbulos brancos, um elemento do sangue que combate as infecções. Ao mesmo tempo, também é gerada em menor quantidade uma molécula imunitária importante, a proteína C-reactiva, a qual ajuda a destruir patogénicos.
E donde vem o grande apetite que os homens corpulentos demonstram?
Pois bem, há milhares de anos atrás os nossos antepassados tinham que lutar para obter todas as calorias que necessitavam, pois não existia um supermercado ao virar da esquina, como hoje em dia. Isso levava, explica Lassek, a que os homens com maior massa muscular sentissem fome mais vezes, comparativamente com os companheiros de menor porte, dado que o organismo exigia mais energia. Essas pontadas de fome perduram nos genes até aos dias de hoje, mais não sendo do que um resquício dos velhos tempos.
Deste modo, os benefícios sexuais eram descompensados com os custos energéticos de se ser “entroncado”, fornecendo uma explicação evolutiva para ainda haver homens de porte delgado, salientou o investigador.
Qualquer dia o Sol diz-nos adeus: Nova teoria pode explicar porquê

O Sol tem uma massa 333.000 vezes maior que a da Terra e um volume 1.400.000 vezes superior. (NASA/cortesia da nasaimages.org)
Em 2004, dois investigadores russos calcularam, com sucesso, que a Terra e o Sol estão a afastar-se a uma média de quinze centímetros por ano. A distância é insignificante, não sendo motivo para preparar os lenços brancos em jeito de despedida, ainda para mais, sabendo que a distância entre os dois corpos celeste é de 149.600.000 quilómetros (o equivalente a uma Unidade Astronómica – 1 UA). Mas porque se afastam eles?
São várias as teorias, mas eis as mais conhecidas.
Uma delas diz que o culpado é o próprio Sol, podendo estar a perder a sua massa devido à fusão nuclear dos seus elementos e ao vento solar, o que levaria a uma diminuição da capacidade de atracção.
Outra defende uma possível mudança na constante gravitacional, a qual postula que “a força de atracção entre dois corpos é proporcional ao produto de suas massas e inversamente proporcional ao quadrado da distância que as separa.” Uma teoria ousada, dado que põe em causa uma das vacas sagradas da física desenvolvida por Newton e Einstein.
E restam aquelas que apontam o dedo à expansão cósmica (Hubble foi o primeiro a avisar que o universo estava em expansão), ou aos efeitos da matéria negra (postula-se que existe uma matéria invisível que só interage gravitacionalmente, constituindo 23% do nosso Universo).
Mas nenhuma destas teorias conseguiu convencer a comunidade científica.
Eis então que uma equipa de quatro investigadores, liderada por Takaho Miura, da Universidade Hirosaki, no Japão, avança com uma nova ideia: a separação está a ser provocada pela interacção das marés.
Ou seja, a causa apontada é a mesma que está a fazer a Lua afastar-se da Terra. Mas como?
As marés nos nossos oceanos, originadas pela órbita da Lua, fazem com que a rotação do nosso planeta diminua, dado que está a transferir energia para a movimentação do satélite natural. Isso leva a que todos os anos a órbita da Lua, em torno da Terra, aumente quatro centímetros, enquanto a rotação da Terra diminui 0,000017 segundos.
A equipa de Miura defende que o mesmo sucede entre a Terra e o Sol, com a massa do nosso planeta a criar uma protuberante maré na estrela (formada por gases). Pelos seus cálculos, a rotação do Sol diminui 0,00003 segundos por ano por causa da Terra.
Se preferirmos usar o jargão científico, significa que o Sol está a perder “momentum” angular, levando a que uma maior órbita da Terra tente compensar a diminuição na velocidade de rotação do Sol.
Energia geotérmica: projectos ambiciosos sofrem sério “abanão”

As centrais de energia geotérmica são normalmente construídas nos limites das placas tectónicas, onde os recursos térmicos (calor) estão disponíveis perto da superfície. Em 2005 eram 24 os países que produziam este género de energia, contando para cerca de 0,3% do consumo mundial de energia eléctrica. (wikicommons)
Perfurar o solo até três quilómetros e meio de profundidade pode ser uma tarefa simples, mas desenvolver uma técnica segura para retirar o calor das rochas quentes que aí se encontram, e delas obter energia, está a revelar-se mais complicado. Especialmente se as consequências forem tremores de terra.
O último grande esforço para extrair energia geotérmica desenvolveu-se na zona da Cornuária, no Reino Unido, e dele se espera que não provoque os mesmo problemas que outros empreendimentos semelhantes.
Por agora, a ideia é construir uma central produtora de energia geotérmica capaz de produzir, para fins comerciais, 3 Megawatts de energia – se uma lâmpada normal no nosso quarto pode consumir 100 watts, um milhão de watts (o equivalente a um Megawatt) poderia iluminar muitos mais quartos.
Mas os problemas podem ocorrer junto dos canais que são criados, artificialmente, aos três quilómetros e meio de profundidade, onde se escondem as quentes e secas rochas do subsolo.
Estas rochas, para serem energeticamente viáveis, devem ter temperaturas que ascendam os 150 graus, sendo depois aproveitadas para aquecer a água fria que para aí é injectada. Só que, antes de tudo, é necessário introduzir água a grande pressão, de forma a criar uma rede de rachas e uma expansão das rochas. Forma-se assim um conjunto de canais, destinados a albergar a líquido que vai ser aquecido.
Depois de ter estado entre as quentíssimas rochas, a água é bombeada e usada para fazer funcionar uma turbina de vapor, ou para aquecer. E assim temos a energia geotérmica. Parece fácil.
Só que a rede de canais no subsolo pode ser bastante perigosa e instável, uma vez que se está a exercer uma imensa pressão sobre uma zona que, por si só, poderá estar sob grande stress. O resultado é imprevisível, podendo causar pequenos tremores de terra em redor.
Para mais, problemas similares já ocorreram em outros projectos espalhados pelo globo. Em Basileia, na Suíça, uma exploração foi encerrada em Dezembro de 2006, depois de a cidade ter sido atingida por uma série de pequenos tremores. Enquanto que no sul da Austrália, na Bacia de Cooper, um outro projecto foi suspenso no mês passado, depois de aparecerem várias fugas ao longo do furo por onde a água fria era injectada no subsolo.
Falta provar até que ponto este género de projectos, utilizando a rede de canais no subsolo, pode ser de confiança (a menores distâncias a extracção é segura). Todavia, os técnicos da EGS Energy, a empresa que está a fazer as perfurações na Cornuária, estão bastante confiantes, garantindo que o que se passou em Basileia não voltará a ocorrer.
“A equipa em Basileia estimulou uma região que é por natureza bastante activa, a nível sísmico”, explicou Roy Baria, director técnico da EGS Energy. Ou seja, cometeram um erro básico, enquanto que a situação no subsolo da Cornualha “é completamente diferente”, defendeu por fim.
Actualmente, a única central geotérmica deste género a operar com sucesso (através da criação de uma rede de canais nas rochas quentes e secas), fica em Landau, na Alemanha.
Demasiado jovem para morrer: Estrela maciça explode antes do tempo

Em poucos dias uma supernova liberta mais energia do que o Sol em toda a sua vida
Um grupo de cientistas, de Israel e dos EUA, conseguiu descobrir uma estrela, 50 vezes maior do que o nosso Sol, que explodiu numa supernova muito antes do seu tempo de vida. A revelação pode pôr em causa os modelos existentes, que explicam como são o final de vida destas fábricas de matéria.
Numa galáxia a 200 milhões de anos-luz da Terra (um ano-luz equivale a quase 10 biliões de quilómetros), uma jovem estrela explodiu numa brilhante supernova, resultando daí umas das mais temíveis singularidades do Universo: um buraco negro. O fulgor da explosão foi visto, em 2005, pelos astrónomos. Mas não foram estes factos que tornaram surpreendente o achado, uma vez que eventos como este são descobertos às centenas, anualmente.
O que interessa, para o caso, é que, até à pouco tempo, desconhecia-se qual teria sido a vítima que originou o flash de luz. A solução passou por investigar imagens de arquivos, tiradas por telescópios espaciais ao mesmo local da explosão, de modo encontrar a estrela que originou a explosão cósmica.
Eis então que, uma equipa de investigadores, liderada por Avishay Gal-Yam, do Instituto Weizmann de Ciência (Israel), em associação com a Universidade Estatal de San Diego (EUA), deu de caras, inesperadamente, com uma estrela demasiado jovem para ter explodido num evento similar.
E o que tem este caso particular a ver com toda a história em geral?
Segundo os modelos tradicionais, a forma como uma estrela morre está ligada, desde o início, ao tamanho (ou massa) que terá. O nosso Sol, por exemplo, tem um tamanho médio, indo acabar numa anã branca, já os astros de menores dimensões, atingirão o estatuto de anãs vermelhas. Em comum, o facto de acabarem as suas vidas a emitir pouca radiação, quase moribundas. Mas as estrelas de grande massa têm um fim mais violento, pois explodem numa supernova e dão lugar a uma estrela de neutrões, que abrigará no seu centro um buraco-negro.
Mas há mais para saber. As estrelas, que pintam o céu à noite, funcionam como fábricas galácticas, fundindo núcleos de hidrogénio – que têm em grande abundância –, até se criar hélio. Como o hélio é mais leve que as massas dos quatro núcleos de hidrogénio, usados para o formar, vai sobrar energia desta fusão (conforme nos explica a velha fórmula de Einstein, E=mc2). Esta é depois emitida sobre a forma de neutrinos, vento solar e, principalmente, radiação electromagnética – a luz que todos os dias nos banha a cara e dá vida ao ecossistema terrestre.
Depois de fazerem a combustão de todo o hidrogénio, num processo que permitirá a formação de metais pesados (ferro, magnésio, níquel, ouro, etc.), cada estrela entrará numa fase de declínio, tendo um fim que dependerá do tamanho que tiveram. Com a explosão das de grande porte, a diversa matéria que continham – criada pela fusão – espalha-se pelas galáxias, estando na origem dos planetas e dos seres vivos, como nós, humanos. Não custa nada repetir, todos nós somos feitos de estrelas.
Concluída a explicação, voltamos ao cerne da questão: o que tem a descoberta a ver com tudo isto?
A resposta prende-se com o facto de ela vir baralhar os cientistas, pois temos uma estrela gigantesca, como é o caso da que foi encontrada por Gal-Yam (50 vezes maior que o Sol), a explodir antes de queimar todo o seu hidrogénio, muitos milhões de anos antes do tempo que era previsto. Um autêntico mistério… e um choque, que mostra haver muito mais para descobrir sobre a vida e morte das estrelas. Resumindo: hipóteses para o sucedido… procuram-se!
“Eu penso que é uma descoberta completamente extraordinária”, enfatiza o astrónomo Stephen Smartt, da Universidade da Rainha, em Belfast, Irlanda do Norte. E porquê? Porque “isto realmente pede a que reanalisemos os nossos modelos, para ver se conseguimos uma explosão neste mesmo regime de modelos”, conclui.
Investigação diz que linhas de alta tensão desorientam gado bovino

O gado bovino costuma pastar na direcção Norte-Sul, a razão pode estar no campo magnético da Terra (foto: Macieklew)
Dois investigadores de uma universidade alemã chegaram à conclusão de que os campos magnéticos de baixa frequência – como os que são produzidos pelas linhas de alta tensão –, são capazes interferir na capacidade de orientação de animais ruminantes como o gado bovino e os veados.
Animais como as vacas e os veados tendem a posicionar-se numa direcção norte-sul quando estão a pastar, o que pode significar que têm a habilidade de orientar-se segundo o campo magnético da Terra, dizem os cientistas que lideraram o estudo. As causas para esta predisposição ainda não são conhecidas.
No entanto, existe algo que Hynek Burda e Sabine Begall, da Faculdade de Biologia da Universidade de Duisburgo-Essen, Alemanha, dizem já saber: quando estes animais estão perto de linhas de alta tensão perdem a sua capacidade de orientação, posicionando-se de forma aleatória nas zonas de pastagem.
A investigação realizada pelos dois cientistas usou imagens do Google Earth para estudar campos de pastagem, de todo o mundo, utilizados pelo gado bovino e os veados. Depois de observarem os cenários, constataram que os animais que pastavam debaixo ou perto de linhas de alta tensão “exibiam distintos padrões de alinhamento”, um “efeito de perturbação” que se devia aos campos magnéticos originados pelas linhas, dizem Burda e Begall na revista PNAS, da Academia Nacional de Ciências dos EUA.
À medida que os animais se distanciavam das linhas, as perturbações na orientação norte-sul tendiam a diminuir, salientam ainda.
Apesar de as condições meteorológicas também poderem influenciar a forma como os ruminantes se alinham, dois terços deles seguem o padrão norte-sul, quando afastados das linhas.
Estas evidências podem ser uma prova de que os grandes mamíferos são sensíveis aos campos magnéticos, e que os vertebrados têm um determinado comportamento quando expostos a campos magnéticos de baixa frequência – como no caso das linhas de alta tensão.
A exposição a este género de campos “implica efeitos a nível celular e molecular”, menciona o estudo.
Há quanto tempo existe vida na Terra?

A vida biológica pode subsistir nas mais extremas condições, como acontece nas quentíssimas fontes termais do Parque Yellowstone (Public Domain)
A mais velha evidência de vida na Terra data de há 3,83 mil milhões de anos atrás, mas dois investigadores, de uma universidade norte-americana, defendem que ela pode ter surgido mais cedo.
Há cerca de 3.9 mil milhões de anos, ocorreram alterações nas órbitas dos planetas gigantes gasosos que existem no nosso Sistema Solar, o que levou diversos objectos a mudar de rumo e a entrar em rota de colisão com os planetas interiores (mais próximos do Sol), como é o caso da Terra. Até ao momento, os geólogos pensam que esse intenso bombardeamento ‘limpou’ o nosso planeta de qualquer forma de vida biológica que pudesse existir.
Oleg Abramov e Steve Mojzsis, da Universidade do Colorado, EUA, realizaram um estudo, através de modelação computacional, em que enviaram 200 biliões de toneladas de massa de encontro à Terra. O resultado final mostrou que a vida poderia ter sobrevivido aos intensos (e infernais) impactos.
Segundo os seus cálculos, apesar de um projéctil com 500 quilómetros de largura ser capaz de espalhar, na atmosfera, uma camada de terra com 350 metros de espessura, aquecendo-a até aos 1200 graus, o calor do impacto não conseguiria penetrar na crosta sólida mais profunda. A camada de terra esterilizada pelo calor (que ocorre aos 110º), teria apenas 300 metros de profundidade.
Tendo em conta que já foram descobertos micróbios que subsistem em zonas de elevadas temperaturas, como nas quentes fontes termais do Parque Yellowstone (EUA), a vida biológica poderia ter sobrevivido até profundidades de quatro quilómetros – quanto mais próximo se está do centro do planeta, maior a temperatura. Além do mais, a força dos impactos poderia ter rachado as crostas mais profundas e levado a que a água delas fluísse, fornecendo um refúgio para os micróbios de ambientes quentes.
Estes organismos poderão, assim, ter sido umas das primeiras formas de vida a surgir no planeta, tendo-se desenvolvido há 4,4 mil milhões de anos atrás, ‘pouco’ depois de a Terra se ter formado, 154 milhões de anos antes.
Contudo, é difícil provar rigorosamente que a vida seja assim tão antiga, uma vez que depois do ‘bombardeamento’ todas as rochas terrestres, que poderiam conter vestígios de vida mais precoce (em forma de isótopos), foram destruídas. Os vestígios até agora encontrados têm 3,83 mil milhões de anos.
Cientistas criam arma laser para abater mosquitos com malária

Só as picadas das fêmeas dos mosquitos podem passar a malária a humanos (Public Domain)
Buscar, fazer zoom, apontar mira e disparar: mosquito incinerado. Em mais um impulso na luta contra a malária, cientistas norte-americanos desenvolveram um novo laser portátil capaz de localizar individualmente os mosquitos e de abatê-los um a um.
Há quase 25 anos atrás, alguns cientistas norte-americanos propuseram a ideia do sistema de defesa “Star Wars”, constituído por lasers colocados no espaço que iriam detectar e destruir os mísseis soviéticos que fossem lançados. Actualmente, alguns dos mesmos cientistas desenvolveram um outro sistema de defesa, desta vez para criar uma barreira de segurança que visa destruir os insectos passíveis de transmitir a malária aos humanos.
O laser anti-mosquito foi criado por uma grupo de investigadores de diversas áreas (da astrofísica até à entomologia – estudo dos insectos), podendo ser usado para proteger uma casa ou uma aldeia dos mosquitos. No entanto, não está descartada a ideia de criar drones equipados com os mesmos lasers, capazes de detectar os mosquitos com um radar e de os eliminar dos céus.
Numa recente demonstração em ambiente doméstico, o sistema usou focos de luz para detectar as silhuetas dos mosquitos, sendo depois utilizada uma lente de zoom para fornecer mais detalhes sobre o insecto a um computador – o cérebro do laser. Cabe depois ao computador dar ordens ao laser para atacar o mosquito. Assim que é atingido, o insecto é incinerado, deixando um fino rasto de fumo à medida que cai.
No entanto, os investigadores avisam que a força do laser ainda está a ser regulada, para que não possa magoar outros insectos ou até… humanos. O sistema é apresentado como seguro, dado que é capaz de distinguir um mosquito de qualquer outro animal, chegando ao ponto de diferenciar um mosquito macho de uma fêmea, através da frequência do seu bater de asas – o que pode ser muito importante, uma vez que são as fêmeas que espalham o parasita através das suas picadas.
Estima-se que anualmente morram com malária cerca de três milhões de pessoas, atingindo num mesmo período cerca de 500 milhões de seres humanos. O continente africano é o que mais sofre com a doença.
Vale tudo para não perder o emprego
Um inquérito feito a trabalhadores norte-americanos revelou que mais de um quarto dos inquiridos agiria de forma imoral para manter o seu posto de trabalho, não importando se teriam de mentir, enganar ou namoricar o/a chefe. Em tempos de crise, parece que vale mesmo tudo para não acabar no desemprego.
O estudo foi feito a 1.200 trabalhadores dos EUA, numa pesquisa feita em Fevereiro deste ano pela Harris Interactive, a pedido da Adecco, a maior empresa de recursos humanos do mundo (lida com 700 mil trabalhadores a nível internacional). O objectivo era saber se a recessão económica teria algum efeito na atitude das pessoas em relação à sua carreira e às suas perspectivas de emprego.
Constatou-se, então, que 28% dos inquiridos não teriam problemas em agir de forma imoral, ou seja, tanto lhes faz se têm que mentir (13% dos que responderam) ou dar umas facadazinhas nas costas dos colegas, roubando-lhes os créditos (2%), desde que isso ajude a carreira ou a manter o emprego.
Namoriscar e seduzir o patrão (ou a patroa), está também dentro do saco de possibilidades de 4% das pessoas.
O mais preocupante é quando se verifica que os mais passíveis de pisar os calos aos colegas e de usar todo o género de estratagemas são os trabalhadores mais jovens. Quase 40% dos trabalhadores entre os 18 e os 34 anos não teriam problemas em ser desonestos para manter o emprego.
Como explica Bernedette Kenny, membro da direcção da Adecco, “as pessoas têm medo de perder o seu emprego, pelo que se sentem mais ameaçadas.” Na sua opinião, os trabalhadores “fazem planos extensivos para o Natal, para as férias, casamentos e feriados, mas investem pouco na sua própria carreira, a qual também é o maior investimento de uma família, pelo que não estão preparados, financeiramente e emocionalmente, para a perda de ganhos que dão como certos”. Como salienta, isto fará com que se sintam ameaçados e façam tudo para salvar o seu modo de vida.
Se detestou o que leu… e está a ver que vai começar a desconfiar de todos os seus colegas de trabalhos, tenha calma, pois ainda restam os 72% que afirmaram não ser capazes das maiores manigâncias para manter o emprego. Ainda há motivos para ser optimista.